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  Israel e sua História: Jorão, outro filho de Acabe

 

 

Jorão era filho do rei Acabe e da rainha Jezabel. Ele sucedeu ao seu irmão Acazias no trono de Israel ou Reino do Norte, no ano de 917 a.C., tendo reinado por 12 anos (2Reis 1.17; 18; 3.1; 9.22).

Não devemos confundir Jorão (rei de Israel), filho do rei Acabe e da rainha Jezabel, com Jeorão (rei de Judá), filho de Jeosafá e cunhado de Jorão (por ser casado com sua irmã Atalia). Na verdade, o “termo” “Jorão” é o diminutivo de “Jeorão”, tanto em hebraico quanto em aramaico. Em hebraico, o termo “Jeorão” tem o significado de “Deus é Alto”. Em aramaico, significa “Deus é Enaltecido” (2Crônicas 21.1-20).

No início de seu reinado, Jorão mandou remover a “coluna sagrada” dedicada ao deus Baal, em Samaria, pelo seu pai Acabe. No entanto, ele seguiu o mesmo caminho religioso e idólatra de seu pai Acabe e de sua mãe Jezabel, dedicando-se à adoração de bezerros de ouro e de outros ídolos pagãos. Durante o seu reinado, Jorão manteve de pé a maioria dos ídolos erguidos por ordem de Jeroboão I, o primeiro rei das dez tribos de Israel, e os adorou (1Reis 12.26-19; 16.33; 2Reis 3.2,3).

Em certa ocasião, Jorão (o rei de Israel) fez uma aliança com Jeosafá (o rei de Judá) e com o rei de Edom, a fim de rechaçarem uma invasão dos moabitas às usas terras. Apreensivos, os reis aliados consultaram o profeta Eliseu (que havia substituído o profeta Elias) sobre essa batalha iminente. Eliseu orientou aos reis que mandassem cavar muitas valas no campo de batalha, a fim de captar água de uma chuva que se aproximava. Eliseu explicou que essa providência seria fundamental ao resultado da batalha, pois Deus faria com que os moabitas tivessem uma ilusão de ótica. Os reis seguiram os conselhos de Eliseu e mandaram cavar as valas. Assim, choveu durante toda noite (na véspera da batalha) e as valas ficaram completamente cheias d’água. Ao amanhecer, Messa (o rei dos moabitas) mandou que seus soldados atacassem os aliados. Para isso os moabitas teriam que atravessar o campo molhado. A chuva havia parado e o sol refletia sua luz sobre as valas cheias. Messa e os seus soldados viram a água tingida de vermelho pelo reflexo solar, e a confundiram com sangue humano. Pensando tratar-se de sangue dos aliados, que teriam se desentendido e lutado entre si durante a noite, os moabitas avançaram confiantes e sem as cautelas devidas, pois acreditavam que iriam massacrar com facilidade os aliados sobreviventes. Ao invés disso, foram derrotados pelos aliados com muita rapidez. Assim, os sobreviventes moabitas se puseram desesperadamente em fuga, a fim de escapar do extermínio (2Reis 3.4-27).

Em outra ocasião, o general Naamã (comandante dos exércitos sírios), que era leproso, foi até a presença de Jorão, em Samaria, levando uma carta de apresentação de seu rei. Ao receber Naamã e a carta trazida por ele, Jorão acreditou que o rei da Síria o estava provocando, a fim de trazer guerra entre as duas nações. Na verdade, a intenção do general e de seu rei era que Naamã fosse curado da lepra. Eram públicos e notórios entre as nações circunvizinhas os milagres operados pelo profeta Elias e por Eliseu, seu substituto, que estava em pleno exercício de seu ministério. Aquela atitude de Naamã e de seu rei era uma demonstração de fé no Deus de Israel e no seu profeta. Naamã trazia consigo (a mandado do seu rei) dez talentos de prata, 6.000 siclos de ouro e dez mudas de vestidos, os quais entregou a Jorão (2Reis 5.1-6).

Ao ler a carta do rei da Síria, Jorão falou para Naamã que não era Deus, para curar, matar ou vivificar quem quer que fosse. Acrescentou ainda que percebia naquela missiva um pretexto para provocá-lo, a fim de que houvesse guerra entre Israel e a Síria. Porém, o profeta Eliseu ficou logo sabendo da atitude do rei Jorão diante do general sírio. Imediatamente, mandou um mensageiro ao rei, pedindo que lhe enviasse Naamã, pois Deus o curaria da lepra. O rei obedeceu ao profeta e lhe enviou Naamã. Ao vê-lo, Eliseu mandou que Naamã se lavasse por sete vezes no rio Jordão, que estava com seu leito seco e enlameado (2Reis 5.7-10).

Ao ouvir o profeta, Naamã ficou indignado e exclamou: “- Eu pensei que o profeta colocaria suas mãos sobre mim e oraria ao seu Deus, para que eu fosse curado! Ao invés disso, ele me envia a banhar-me no leito seco de um rio enlameado. Ora, Damasco, a capital da Síria, tem dois belos rios, que estão com os seus leitos repletos de água: o Abana e o Farpar. Por que ele não mandou lavar-me num desses rios de águas límpidas, ao invés de banhar-me nas águas enlameadas do rio Jordão?” (2Reis 5.11,12).

Revoltado, Naamã começou a empreender sua volta para a Síria. Porém, alguns dos seus soldados lhe pediram que atendesse aos conselhos do profeta, pois sendo ele um servo de Deus, sabia o que estava falando, e certamente não mandaria o general fazer alguma coisa que fosse inútil. A contragosto, Naamã lavou-se sete vezes no leito do rio. Ao sair do rio na sétima vez, Naamã estava com a pele completamente limpa e com o seu corpo totalmente purificado. Emocionado, ele voltou à presença de Eliseu, para agradecer-lhe e para adorar ao Deus de Israel (2Reis 5.13-15).

Ao ver Eliseu, Naamã lhe narrou o ocorrido e jurou que não mais serviria a Rimom, o deus dos sírios. Naamã prometeu que daquela data em diante só se curvaria ao Deus de Israel, e não mais a qualquer outro deus, como tinha feito até aquele dia. Ao final, pediu perdão a Deus e desculpas a Eliseu pelo fato de ter até então adorado a Rimom, coisa que não mais voltaria a fazer durante o restante de sua vida (2Reis 5.16-19).

Como profeta de Deus, Eliseu mantinha o rei Jorão informado sobre as manobras belicosas dos sírios contra Israel. Em várias ocasiões, Israel livrou-se das ciladas da Síria graças aos avisos do profeta. No entanto, mesmo com os constantes avisos de Eliseu e as suas exortações para que o rei se voltasse para Deus, Jorão manteve-se afastado dos caminhos do Senhor (2Reis 6.8-33; 7.1-20).

Não demorou muito, Jotão encontrava-se em Jeezreel, curando-se dos ferimentos recebidos numa das batalhas contra os sírios. Após sua recuperação, Jotão se dirigiu ao campo de batalha, onde encontrou Jeú, um dos seus generais. Nesse encontro, Jotão percebeu que Jeú pretendia matá-lo, e empreendeu fuga. Porém, foi perseguido por Jeú, que o alcançou e o matou ao atirar-lhe uma flecha que o acertou no coração. Assim, Jotão morreu e foi enterrado no “Campo de Nebate” (2Reis 6.32; 9.14-26).

Rev. Dr. Venâncio Josiel dos Santos (Ph.D, DD, Th.D). Doutor em Teologia, Divindade e Filosofia da Religião - OTEAL nº 615 – OTEB n º 1.516

 
Fonte: Dr. Venâncio Josiel dos Santos

 
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